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A melhor contribuição de Samper e Pastrana a um eventual processo de paz com as FARC, seria que ficassem calados

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      A febre midiática ao redor de uma eventual negociação de paz com as FARC, gera expectativas para as ambições pessoais de dirigentes políticos e, em contraste, absoluta incerteza, ceticismo e incredulidade entre os colombianos a pé (povão).
 
     Nesse entorno de habituais ambições egocêntricas e perfis macondianos da política crioula, os ex-presidentes Samper e Pastrana, dois dos principais responsáveis por que o país tenha chegado aos vergonhosos extremos que a Colômbia vivia em 2002, agora ousam bancar os pacifistas, experts e doutos no que não foram capazes de fazer em seu tempo.
 
     Obstinados em conseguir dividendos eleitoreiros pessoais e grupais, os desprestigiados ex-mandatários esquecem de sua improdutiva ação para solucionar o principal problema da Colômbia, devido a que nenhum dos dois planejou nem executou uma estratégia clara para opor-se ao bem articulado plano estratégico do Partido Comunista e seu braço armado, as FARC, para tomar o poder e implantar uma ditadura comunista similar à cubana.
 
   Samper esquece que ele nunca governou nem pôde governar por estar dedicado à sua defesa, por fazer vista grossa com a contribuição do dinheiro do Cartel de Cali “pelas suas costas”, que sua passagem pelo trono de Bolívar o situa como o mais inepto e o mais cínico dos ex-presidentes colombianos e que as FARC brincaram com ele desde a violenta recepção que lhe fizeram, passando pelo circo do Caguán e a humilhante despedida com outra onda de terror na qual, ademais, os narco-terroristas das FARC e do ELN o rotularam de mafioso e corrupto, no preciso momento em que os irmãos Castaño Gil dirigiam a seu bel prazer outra porção do território nacional, e os Rodríguez Orejuela colocavam o ministro da defesa e até o Controlador Geral da República encarcerados como bandidos.
 
    O imaturo ex-presidente Pastrana esquece-se que seu governo foi o mais vergonhoso palhaço para a estratégia fariana. Que sem nenhum plano coerente, para ganhar as eleições com um ato demagógico, reuniu-se às escondidas com Tirofijo, ao que parece, para fazer a paz, e que poucos meses depois o velho terrorista zombou dele com a cadeira vazia.
 
    Que as FARC passearam com ele por toda a arena de touros [1] de sua farsa pacifista, lhe aplicaram a lança, lhe fizeram manoletinas [2]chicuelinas [3], passes de todo tipo, e por último reprovaram sua inaptidão e falta de coerência político-estratégica, situações que o forçaram a aceitar sua falta de concepção do problema, hoje dissimulada com o conto chinês de que foi ele quem fez com que o mundo os visse como terroristas e que foi o único processo válido para reiniciar.
 
    Para completar, no ocaso de seu desgoverno, manietado por sua falta de imaginação e de liderança para se opor às sincronizadas ações político-estratégicas do narco-terrorismo, Pastrana declarou de novo guerra às FARC sem ter um plano alternativo previsto. Tropicalismo puro, em sua mais exponencial extensão.
 
     Os fatos são a base para contextualizar a ciência, a política e a história. Nenhum dos dois governos (Pastrana e Samper) resiste a uma análise séria e objetiva acerca de seus ganhos e supostas concepções político-estratégicas, frente ao plano estratégico dos terroristas. Primeiro, pelo nítido desconhecimento da intenção das FARC, segundo pela mecânica politiqueira e demagógica que caracterizou a vida toda a sinuosa direção colombiana, e terceiro, porque em ambos os casos primou o interesse pessoal sobre os objetivos nacionais. 
 
    Samper só se interessou, durante seu incompetente mandato, em evitar a responsabilidade do processo 8000 e a acusação de “narco-presidente” que os gringos lhe deram, e que até de maneira humilhante e vergonhosa lhe suspenderam o visto para ingressar aos Estados Unidos. Para se defender, contou com o grande apoio de seus escudeiros Serpa e Viviane Morales, a quem anos depois devolveu o favor impondo-a como Promotora, graças à sua amizade pessoal com Juanma [4].
 
    Samper nunca governou nem teve espaço de manobra para trabalhar como chefe de Estado. Por isso, durante seu governo as FARC perpetraram as maiores arremetidas terroristas e seqüestros de militares e policiais mal dotados e mal comandados, dos quais inclusive alguns ainda continuam privados da liberdade.
 
    Por sua parte, Pastrana entregou meio país aos bandidos, amordaçou as Forças Militares, dedicou-se a viajar pelo mundo em busca de seu prêmio Nobel da Paz, permitiu que as FARC seqüestrassem, traficassem com coca, incrementassem as relações internacionais com Chávez e seus cúmplices, se ajoelhou ante a ditadura cubana e com atitudes espetaculosas esquivou-se de todo tipo de responsabilidades.
 
     Nessa ordem de idéias, é impossível pedir pêras ao olmo. Jamais se poderá esperar que Pastrana e Samper contribuam com algo positivo para a Colômbia em matéria de paz com as FARC. Fora que em em seu tempo desconheceram o Plano Estratégico das FARC, ainda continuam imersos na absoluta ignorância frente a este tema, razão pela qual Samper faz o jogo à farsa da libertação a conta-gotas apadrinhada pela moleca de recados internacional das FARC e a Pastrana, em sua fantasiosa imaginação, se lhe ocorreu que 60% dos colombianos estamos de acordo em voltar à baboseira da zona de distensão.
 
     Portanto, a melhor contribuição à paz da Colômbia que Samper e Pastrana podem fazer, é que fiquem calados. Que não opinem sobre nada a respeito, pois parece que seus cérebros, do mesmo modo que os dos cabeças das FARC, ficaram estancados no tempo, quer dizer, que não têm neurônios para produzir nenhuma idéia diferente a que o Estado colombiano volte a se deixar manipular pelos narco-terroristas.
 
Notas da tradutora:
 
[1] Na Colômbia existem touradas como na Espanha, mas o novo prefeito de Bogotá, o terrorista Gustavo Petro, disse que vai baixar uma lei para proibir tal prática.
 
[2] Manoletinas são as piruetas que os toureiros fazem com a sapatilha apropriada para o evento.
 
[3] Chicuelinas, são os movimentos que o toureiro faz com a capa para atrair a atenção do touro que, enganado passa por baixo de seus braços.
 
[4] “Juanma”, é o apelido de todo aquele que se chame “Juan Manuel” e, no caso, refere-se ao presidente Juan Manuel Santos.
 
* Analista de assuntos estratégicos - www.luisvillamarin.com 
 
Tradução: Graça Salgueiro

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